Santa Justina e sua História

Existem duas Santas Justinas: a Santa Justina e Prodoscimus de Pádua e a Santa Justina de Antioquia, que converteu Cipriano ao cristianismo.

Neste artigo, vou falar da Santa Justina de Antióquia, cuja história se entrelaça na de Cipriano, pois se não fosse a perversidade de Cipriano em alistar um demônio para manchar as virtudes de Justina, talvez nem a teríamos conhecido.

Justina se tornou cristã após ouvir um padre ler o evangelho e foi isso o que a salvou das tentações do demônio enviado por Cipriano, pois perante todas as tentativas do demônio de desvirtuá-la, ela fazia o Sinal da Cruz, um poderoso fechamento de corpo e símbolo de Jesus Cristo.

Na imagem abaixo, podemos ver retratada a paixão de Justina de Antióquia:

A Paixão de Justina e Cipriano de Antióquia

A imagem acima mostra Justina e Cipriano na cuba de ebulição que o conde Eutolmius ordenou para eles.

Cipriano usa uma mitra bastante inadequada. À direita, o homem barbudo de manto e chapéu é, provavelmente, o conde.

O homem de verde atacado por chamas na extrema direita é o sacerdote pagão Atanásio, que pensou poder mostrar o poder dos deuses entrando no próprio tanque, mas assim que ele se aproximou do fogo, ele saltou e o destruiu.

O homem de chapéu vermelho, conversando com Eutolmius, deve ser seu primo Terentius.

Vendo que nem espancamentos nem fogo poderiam convencer os dois cristãos a negar Jesus Cristo, ele aconselhou o Conde a enviá-los à César para um julgamento.

Existem poucos retratos de Justina. Um deles é esse abaixo de origem ortodoxa oriental:

Santos Cipriano e Justina de Antióquia

A cruz em sua mão refere-se aos episódios em que ela fez o sinal da cruz como uma defesa contra os insultos dos demônios.

Neste retrato, Justina é combinada com Cipriano, que é representado como um homem velho em vestimentas episcopais.

O dia de Santa Justina de Antióquia é celebrado em 26 de setembro, juntamente com São Cipriano.

O fato mais marcante sobre Justina realmente foi a sua fé inabalável em Jesus Cristo e como foi torturada por isso pelo feiticeiro Cipriano que tentou levá-la à loucura com suas artes mágicas.

Na imagem abaixo, você pode ver uma representação de Cipriano de Antioquia tramando com o demônio contra Justina, antes de sua conversão à fé cristã, em iluminura de um manuscrito do século XIV:

Justina converteu-se ao cristianismo, dedicando sua vida às orações, consagrando e preservando sua virgindade.

Em determinado momento, um jovem rico chamado Áglede, que vivia apenas para desfrutar dos prazeres carnais, ficou obcecado por ela.

À assediava na rua, tentou arrastá-la para sua casa para estuprá-la e, por fim, tentou pedir a mão dela em casamento.

Porém, Justina não aceitou casar-se. E, foi por causa da fascinação e obsessão desse jovem que Cipriano investiu a tentação demoníaca sobre Justina.

Um dos métodos de ataque utilizado por Cipriano foi um pó que despertaria luxúria em Justina, mas também ofereceu sacrifícios aos demônios e empregou diversas obras malignas.

Graças à Deus, esses homens não obtiveram o resultado desejado com suas perversidades e a forma como Justina se defendeu, utilizando orações à Deus e o sinal da cruz, é um grande exemplo para as mulheres de como agir em casos de assédio.

Justina foi tão boa como serva fiel de Jesus Cristo que, além de conseguir converter um dos mais malditos feiticeiros da região na época, que é Cipriano, ainda produziu várias obras cristãs com ele.

Ela ficou à frente de um grupo de muitas virgens, o que certamente as salvou uma vida pecaminosa, e Cipriano enviava muitas cartas aos mártires fortalecendo-os no combate.

Essas obras cristãs foram grandiosas o suficiente para chegar aos ouvidos do imperado Diocleciano, o responsável por persegui-los e torturá-los.

Justina foi chicoteada e Cipriano açoitado com pentes de ferro, mas não cederam.

Irritado com a resistência, Diocleciano ainda lançou Cipriano e Justina numa caldeira fervente de banha e cera, como você pode ver na primeira imagem desse artigo.

Mas Diocleciano conseguiu a morte de Justina e Cipriano apenas decapitando-os, o que os transformou em mártires.

Obs.: O nome de Justina vem de justitia, que significa “justiça”.

Se não fosse a pregação do diácono, que entrou no coração de Justina e rapidamente começou a dar frutos, desenraizando os espinhos da incredulidade, e se a própria Justina não quisesse ser melhor e mais completamente instruída na fé deste diácono, toda a sua história teria sido diferente.

Ela não teria mostrado-nos como a oração e o Sinal da Cruz são fortes contra demônios, luxúrias e assediadores e nem teria tirado Cipriano da vida maligna que tinha.

Tanto Justina quanto seu pai Edesius e sua mãe Cledonia receberam o santo batismo de um bispo local e a comunhão dos santos mistérios.

Quanto à Justina, ela lutou bravamente na manutenção dos mandamentos de Deus, amando a Cristo Esposo, ela serviu-o com fervorosas orações, na virgindade e castidade, jejum e grande abstinência.

Nenhum homem conseguiu corrompê-la, tampouco um demônio. Então, façamos como Justina e ofereçamos orações ao Senhor todas as noites e também apossando do Sinal da Cruz para fechar nossos corpos para qualquer que seja o assédio.

Ao ser derrotado por sua oração, o demônio fugiu dela com vergonha e, novamente, veio uma calma no corpo de Justina e no seu coração.

Os efeitos do feitiço de Cipriano foram extintos, a batalha cessou, o sangue a ferver foi acalmado.

Justina glorificou a Deus e cantou uma canção de vitória. Mas um segundo demônio foi enviado por Cipriano para atentar Justina, sendo banido vergonhosamente novamente por ela, pois, desta vez, ela havia domesticado as paixões da sua carne com abstinência e jejum (comia apenas pão e água).

Justina diz que a recompensa para aqueles que vivem em castidade é grande e além das palavras, e que é muito estranho que as pessoas não nos dizem a respeito disso.

E, realmente, não há tesouro tão grande como a pureza angelical. Um fato impressionante das tentativas do demônio em desvirtuar Justina foi quando, desejando consolar Cipriano, tentou ainda um outro compromisso: ele assumiu a forma de Justina e foi a Aglaias com a esperança de que, depois de ter levado a Justina “real”, o jovem poderia satisfazer seu desejo e, portanto, não seria a fraqueza dos demônios revelada, nem seria Cipriano confundido.

E eis que, quando o demônio foi até Aglaias sob a forma de Justina, o jovem pulou de alegria indescritível, correu para a donzela falsa, abraçou-a e começou a beijá-la, dizendo:

“Como é bom que você veio para mim, justa Justina!

Mas mal o jovem pronunciou a palavra “Justina” que o demônio desapareceu imediatamente, sendo incapaz de suportar até mesmo o nome de Justina!

O jovem ficou com muito medo e, correndo para Cipriano, disse-lhe o que tinha acontecido.

Então, Cipriano, por sua magia, deu-lhe a forma de um pássaro e, depois de lhe permitir voar no ar, mandou-o para a casa de Justina, aconselhando-o a voar em seu quarto pela janela.

Sendo carregado por um demónio no ar, Aglaias voou sobre o telhado. Nesse momento, Justina passou a olhar através da janela de seu quarto.

Vendo-a, o demônio deixou Aglaias e fugiu. Ao mesmo tempo, a aparência de pássaro de Aglaias também desapareceu e o jovem caiu.

Ele agarrou a borda do telhado com as mãos e segurou-a, pendurando-se ali, e se ele não tivesse sido descido até o chão com a oração de Justina, o irreverente teria caído e morrido.

Assim, não tendo conseguido nada, o jovem retornou à Cipriano e contou-lhe a sua desgraça.

Vendo-se envergonhado, Cipriano ficou muito triste e pensou em ir à Justina, confiando no poder da sua magia.

Ele se transformou em um pássaro, mas não conseguiu ultrapassar a porta da casa de Justina antes de sua falsa aparência desaparecer e voltou com tristeza.

Após isso, Cipriano começou a se vingar, e com a sua magia, trouxe desgraças diversas sobre a casa de Justina e nas casas de todos os seus parentes, vizinhos e amigos, assim como uma vez o diabo fez com o Jó justo (Jó 1: 15-19, 02:07).

Ele matou os animais, ele derrubou os seus escravos com pragas e, dessa forma, ele trouxe a dor extrema.

Finalmente, ele abateu com a doença a própria Justina, de modo que ela se deitou na cama e sua mãe chorou sobre ela.

Justina, porém, consolou a mãe com as palavras do Profeta David:

“Eu não morrerei, mas viverei, e vou contar as obras do Senhor” (Salmo 117:17).


Não só a Justina e seus parentes, mas também a toda a cidade, por permissão de Deus, Cipriano trouxe infelicidade, como resultado de sua fúria indomável e sua grande vergonha.

Pragas apareceram nos animais e várias doenças entre os homens, e a propagação do boato, através da ação dos demônios, que o grande feiticeiro Cipriano ia punir a cidade por conta da oposição de Justina para com ele.

Em seguida, os maís honráveis cidadãos foram até Justina cheios de raiva e tentaram persuadi-la a não irritar Cipriano por mais tempo, e se tornar a esposa de Aglaias, a fim de escapar de ainda mais desgraças para toda a cidade por causa dela.

Mas ela acalmou-os dizendo que em breve todas as desgraças que tinham sido trazidas com a ajuda dos demônios de Cipriano cessariam.

E assim aconteceu. Quando Justina orou fervorosamente à Deus, imediatamente todos os ataques demoníacos sumiram, todos foram curados das pragas e se recuperaram de suas doenças.

Quando essa mudança ocorreu, o povo de Cristo o glorificou e zombaram de Cipriano feiticeiro e de sua astúcia, e ele de vergonha não podia mostrar-se entre os homens e evitou reunir-se mesmo com amigos.

Este fato impressionante não só mostra como os demônios são mentirosos e vigaristas como a sociedade, desde aquele tempo, é capaz de culpar as mulheres pelas atrocidades e barbáries dos homens.

Mas, mais importante que isso, foi o trabalho de Justina como diaconisa, onde tratava do serviço do templo e cuidava dos pobres, obteve um convento e ainda se tornou abadessa de uma comunidade de mulheres religiosas.

E ela fez tudo isso mesmo sendo acusada por muitos de ser hostil, de estar perturbando as pessoas, enganando-as e conduzindo-as aos seus passos ao mesmo tempo que pediam a sua morte.

Ela foi presa e foi espancada na boca e nos olhos. Quando foi levada, juntamente com Cipriano, para o local da execução, Cipriano pediu um pouco de tempo para a oração, para que Justina pudesse ser executada primeiro, ele temia que Justina se assustasse com a visão de sua morte.

Um prepotente de memória seletiva. Teria ele esquecido os demônios que fizera Justina enfrentar por tantas vezes e que enfrentou com digníssima coragem?

Além de suas artimanhas vingativas lançadas sobre ela, sua família, seus amigos, vizinhos e toda a cidade, tendo ela enfrentado não somente a doença que ele lhe causou, mas também toda a população que queria obrigá-la a casar para não sofrerem por causa de sua malevolência?

Acredito que, neste momento, Cipriano apenas quis esconder seu medo da morte tentando ser cavalheiro com Justina, pois sabia muito bem dos seus débitos com Deus.

Ela, por sua vez, curvou a cabeça alegremente sob a espada que a decapitaria e partiu para seu Esposo, Cristo.

Quem enterrou o corpo de Justina, juntamente com o corpo de Cipriano, foi uma certa mulher virtuosa e santa, cujo nome era Rufina, uma parente de Cláudio César.

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